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12/04/2026 19:00 | Colunistas
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por Aline Borges

Incongruências maternas

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A impotência da mãe atípica tem um silêncio próprio.

É aquele silêncio que acontece quando o filho sofre

e tudo o que existe dentro de você implora para arrancá-lo dali,

tomar o lugar dele,

negociar com Deus, com o universo, com quem for

só para que a dor mude de endereço.

Mas não muda.

O CEP continua o mesmo.

Há sofrimentos que uma mãe não pode impedir.

Só acompanhar.

Só permanecer.

E talvez essa seja uma das descobertas mais cruéis da maternidade:

amar alguém com toda a alma

não nos dá o poder de protegê-lo de tudo.

Naquele dia, voltei para casa me sentindo diminuta.

Inútil.

Como se todo meu amor tivesse falhado diante do sofrimento dele.

Porque há uma culpa silenciosa que mora no peito das mães:

a de confundir impotência com incompetência.

A de acreditar que, se o filho sofreu,

então em algum lugar nós faltamos.

Sempre nos falta:

mais força,

mais preparo,

mais controle,

mais capacidade de proteger.

Mas hoje meu filho sentou para escrever sobre aquele dia difícil.

E entre todas as memórias que ele poderia guardar,

não foi a dor que escolheu registrar.

Foi a minha presença.

Ele escreveu que se sentiu seguro porque eu estava ali.

Que eu soube acalmá-lo.

Que meu abraço fez diferença.

E então eu entendi, com o coração apertado e curado ao mesmo tempo:

enquanto eu me condenava

por não conseguir poupá-lo da tempestade,

ele só se lembrava

de quem ficou ao lado dele na tempestade.

Talvez maternidade não seja sobre evitar toda dor.

Talvez seja sobre garantir

que nenhuma dor encontre nosso filho sozinho.

Talvez amor de mãe

não seja o poder de salvar de tudo —

mas a coragem de permanecer

quando não há nada a fazer

além de amar,

acalmar,

e ficar.

Se eu não puder impedir todas as tempestades da vida dele,

que eu ao menos seja sempre

o porto seguro para onde ele corre

quando o céu desabar.

Porque, no fim,

talvez os filhos não se lembrem

de quantas dores tivemos o poder de evitar

mas jamais esquecem

quem foi o colo seguro

onde puderam desabar.

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