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16/04/2026 11:14 | Colunistas
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por Paloma Araújo

O golpe do falso advogado: quando a confiança vira armadilha

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Nos últimos anos, um tipo de golpe tem se espalhado com forma veloz em todo o país: o chamado “golpe do falso advogado”.

A dinâmica é simples — e justamente por isso, perigosa. Criminosos entram em contato com pessoas que possuem processos judiciais em andamento, se passam por advogados ou funcionários de escritórios e informam que há valores a serem liberados.

Utilizam-se de cópias documentos falsos e inexistentes ou de documentos reais de petições obtidas através dos sistemas dos Tribunais.

Na narrativa de golpe, solicitam dados bancários, acesso a links ou chamadas de vídeo, sob a alegação de liberar de forma mais rápida os valores de referentes a indenização, mediante o adiantamento de custas, tarifas ou “taxas de desbloqueios”.

O detalhe mais alarmante? Muitas vezes, esses golpistas têm acesso a informações reais do processo, como número, nome das partes e até o tipo de ação. Isso faz com que a abordagem pareça legítima — e é exatamente aí que mora o risco. Isso se deve ao fato da maioria dos processos serem de consulta pública.

Mas é importante deixar claro: advogados não solicitam pagamentos inesperados, sem prévio aviso e sem respaldo documental. O poder judiciário não cobra valores para antecipação ou para expedir os mandados de pagamento aos vencedores das demandas. Esse tipo de fraude se aproveita de dois fatores poderosos: a expectativa da vítima em receber um valor (normalmente mais altos do que o da sentença) e a confiança depositada na figura do advogado.

Do ponto de vista jurídico, estamos diante de crimes como estelionato (art. 171 do Código Penal), além de possível uso indevido de identidade profissional e violação de dados. A situação também levanta um alerta importante sobre a proteção de informações processuais e a necessidade de maior segurança nos sistemas.

E o que fazer para não cair nesse golpe?

Desconfie de contatos com números desconhecidos, especialmente via WhatsApp. Antes repassar qualquer informação ou efetuar qualquer tipo de pagamento, entre em contato diretamente com o seu advogado, utilizando os canais oficiais já conhecidos e utilizados. Nunca realize transferências com base apenas em mensagens ou áudios. Não acesse nenhum link enviado por esses números, nem mesmo faça vídeochamadas, pois neste último caso, a intenção dos criminosos é a captura da selfie e da voz.

Caso seja vítima, é fundamental registrar ocorrência imediatamente, comunicar ao seu advogado e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do seu estado, para que as providências cabíveis sejam tomadas.

A orientação também vale para familiares — especialmente de idosos, que costumam ser os principais alvos desse tipo de crime. Por isso, informação e cautela continuam sendo as maiores ferramentas de proteção.

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