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09/05/2026 13:31 | Colunistas
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por Aline Borges

Mães…

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Há mulheres que descobrem a maternidade no susto, no sonho, no atraso menstrual, no exame positivo, no coração disparado. Outras a descobrem no caminho: no colo emprestado, no filho que não nasceu do ventre, mas nasceu inteiro no amor. Algumas esperam anos. Outras são surpreendidas antes da hora. Nenhuma sai ilesa.

Ser mãe não é viver num comercial de margarina com trilha sonora suave e crianças penteadas. Ser mãe é fazer conta de cabeça enquanto procura a outra meia do uniforme. É ouvir “mãe!” vinte e sete vezes por hora e ainda atender na vigésima oitava como se fosse a primeira.

É conhecer febres pelo toque da testa, silêncios pelo jeito de fechar a porta e tristezas por uma respiração diferente no quarto ao lado.

Há dias em que a maternidade não chega com flores. Chega com caderno aberto na mesa, olho no relógio, matéria acumulada e uma criança precisando de ajuda às vésperas da prova. Chega com panela por lavar, mensagens por responder e a cabeça dividida entre o que sente e o que precisa fazer.

Ser mãe também é virar especialista em áreas improváveis: lancheira criativa, agenda escolar, dramas adolescentes, manchas misteriosas na roupa, trabalhos de última hora e amizades duvidosas.

É aprender a negociar com terroristas de oito anos e argumentar com filósofos de quatorze.

Mas há algo que quase ninguém conta: mãe também continua sendo pessoa.

Continua tendo medo, sono, cansaço, contas, saudades e vontade de sumir por vinte minutos para voltar respirando melhor.

Continua sendo mulher, indivíduo, alma inteira — ainda que muitas vezes o mundo a convoque apenas pelo cargo.

Talvez por isso o Dia das Mães mereça menos perfeição e mais verdade.

Menos obrigação de flores impecáveis e mais presença sincera. Menos foto posada e mais abraço apertado. Menos cobrança por gratidão em formato de postagem e mais gentileza no cotidiano.

Porque há mães que gostariam de descansar. Há mães que gostariam de ser ouvidas. Há mães que gostariam, pela primeira vez no ano, de não precisar resolver tudo.

Mãe não precisa ser santa de altar nem heroína exausta para merecer amor.

Precisa poder rir, falhar, descansar, recomeçar e continuar sendo amada mesmo quando não dá conta de tudo.

Mãe ama cansada. Ama chateada. Ama sem legenda bonita.

Ama entre uma tabuada e outra, entre um resumo e outro, entre a vontade de chorar e a necessidade de continuar.

A mãe segue explicando matéria com o coração apertado. Segue revisando conteúdo enquanto revisa também a própria vida. Segue cuidando do outro enquanto tenta entender por que, às vezes, se sente tão pouco cuidada.

E ainda assim ama.

Neste Dia das Mães, talvez o melhor presente não caiba em caixa.

Talvez seja lavar a louça sem pedir medalha. Responder sem grosseria. Perceber o esforço invisível. Dizer “obrigado”. Dizer “eu vejo você”. Dizer “pode descansar que hoje eu assumo”.

Há presentes que custam caro e valem pouco. E há gestos simples que nenhum dinheiro consegue comprar.

Porque mãe nenhuma precisa ser extraordinária o tempo todo.

Basta esse milagre diário de seguir amando entre boletos, bagunças, medos, caos e esperança.

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💬 Comentários


Michella em 10/05/2026 09:50

Como amo essa família ❤️❤️❤️

Ana em 09/05/2026 17:02

Semn palavras!!!!!!!!!
Vc é o máximo!!!!!!!!!

SIMONE SÁ ADVOCACIA em 09/05/2026 13:35

Lindo texto .