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20/05/2026 09:08 | Editorial

Quem está nomeando junto com Ricardo Couto?

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A troca de nomes no comando do Estado sempre fez parte da dinâmica política. Governos mudam, equipes mudam. Nenhuma administração pública funciona apenas com servidores concursados. Há cargos de confiança justamente porque todo governante precisa de pessoas alinhadas politicamente e administrativamente para executar projetos, coordenar áreas estratégicas e imprimir sua marca de gestão. Isso, por si só, não é novidade nem irregularidade.

O que chama atenção no atual cenário do Rio de Janeiro é a velocidade e o volume das exonerações promovidas pelo governador interino, desembargador Ricardo Couto.

A cada edição do Diário Oficial, cresce a lista de dispensas, substituições e rearranjos internos. O movimento provoca uma pergunta inevitável: quem está ocupando esses espaços?

A discussão não deveria se limitar apenas à quantidade de exonerados. O debate público precisa avançar para o perfil dos nomeados. Quem são? De onde vêm? Quais grupos políticos representam? Que experiência técnica possuem? Estão ligados a quais interesses?

Toda mudança administrativa produz consequências práticas dentro da máquina pública. Quando um governo promove uma grande substituição de quadros, ele também altera centros de influência, redistribui poder e redefine prioridades. É justamente por isso que a sociedade tem o direito de acompanhar não apenas quem sai, mas principalmente quem entrae quem indica.

Em momentos de instabilidade política, o loteamento silencioso de cargos costuma acontecer longe dos holofotes. Enquanto a atenção pública se concentra nas exonerações, muitas nomeações passam despercebidas. E é nesse ponto que mora a questão central: existe um novo grupo político ocupando espaços estratégicos do Estado? Há critérios técnicos nas escolhas ou prevalece apenas a lógica da acomodação política?

A transparência não pode ser seletiva. Se as exonerações são públicas e amplamente comentadas, as nomeações também precisam ser analisadas com o mesmo rigor. Afinal, mais importante do que saber quem perdeu espaço é compreender quem está assumindo o controle da máquina pública fluminense.

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