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02/06/2026 14:35 | Editorial

Exonerar é fácil. Difícil é explicar quem entra no lugar.

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As recentes exonerações promovidas pelo governador interino Ricardo Couto reacenderam um debate que nunca deveria sair da pauta pública: quem são as pessoas que ocupam os cargos mais importantes do Estado do Rio de Janeiro?

A troca de nomes no primeiro escalão faz parte da rotina política. Governos mudam, equipes mudam. O problema não está necessariamente nas exonerações. O problema surge quando a sociedade não consegue compreender quais critérios estão sendo utilizados para as novas nomeações.

Nos últimos meses, aliados políticos do ex-governador Cláudio Castro foram exonerados e uma ampla reformulação administrativa começou a ser implantada no Palácio Guanabara. As mudanças atingiram cargos estratégicos e abriram espaço para novos ocupantes.

Mas a pergunta que o cidadão comum faz é simples: quem são essas pessoas?

Foram escolhidas por experiência técnica? Possuem histórico de gestão pública? Apresentaram algum plano para as áreas que irão comandar? Ou estamos diante de mais um capítulo da velha prática das indicações políticas?

Nenhum governo sobrevive apenas com servidores concursados. A administração pública exige cargos de confiança. Isso é normal e previsto na legislação. O que não pode ser normal é a falta de transparência sobre os critérios adotados.

Quando um secretário é exonerado, o foco das manchetes costuma ficar na saída. Porém, a verdadeira notícia deveria estar na chegada. Afinal, é o novo nomeado que passará a administrar recursos públicos, influenciar políticas governamentais e tomar decisões que impactam diretamente a vida da população.

O Rio de Janeiro já viveu experiências suficientes para aprender que fidelidade política não é sinônimo de competência administrativa. A história recente do estado mostra que alianças partidárias, acordos eleitorais e acomodações políticas nem sempre resultam em boa gestão.

Por isso, mais importante do que saber quem saiu é saber quem entrou.

A população tem o direito de conhecer os currículos, as qualificações, os vínculos políticos e a experiência profissional dos novos ocupantes dos cargos públicos. Transparência não deve ser favor de governo algum. É obrigação.

Em tempos de mudanças aceleradas no comando do Estado, a sociedade precisa olhar além dos decretos de exoneração. A verdadeira fiscalização começa quando se acendem as luzes sobre aqueles que chegam para ocupar as cadeiras do poder.

Porque, no fim das contas, exonerar é uma canetada. Governar exige competência.

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💬 Comentários


Francisco em 02/06/2026 15:21

Cláudio Castro com certeza usou da mesma transparência pra preencher os cargos . O que se revela nessa reportagem é algo como justificativa pra preencher os cargos públicos do modo político . São sim os servidores públicos concursados que carregam o piano . Já os escolhidos a dedo , deixo que os comentários das reportagens falarem por si