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04/06/2026 15:51 | Colunistas
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por Aline Borges

Sabedoria

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Quando eu era mais nova, achava que sabedoria era uma espécie de biblioteca interna.

Imaginava pessoas sábias cercadas de respostas, colecionando certezas, acumulando experiências como quem empilha livros numa estante.

Hoje penso diferente.

A vida me ensinou que sabedoria não mora nas respostas. Mora na forma como aprendemos a olhar.

Porque chega uma idade — ou talvez uma dor — em que os sentidos começam a trocar de lugar.

Os olhos já não servem apenas para enxergar.

O coração passa a ver coisas que a visão não alcança.

Você aprende a reconhecer uma tristeza escondida atrás de um sorriso ensaiado. Percebe o cansaço na voz de quem insiste em dizer que está tudo bem. Descobre que algumas pessoas gritam justamente quando parecem silenciosas.

E então começa a ouvir com os olhos.

Um olhar demorado diz mais que muitos discursos.

Uma ausência fala.

Uma mão apertada na hora certa fala.

Até o jeito como alguém fecha uma porta pode carregar uma conversa inteira.

Talvez seja por isso que a sabedoria tenha tão pouco a ver com inteligência e tanto a ver com sensibilidade.

O sábio não é aquele que sabe tudo.

É aquele que aprendeu a sentir.

A sentir o aroma da paz nos dias simples.

A sorrir sem precisar esconder a verdade.

A abraçar sem esperar nada em troca.

A desejar sem transformar o desejo em exigência.

A crescer sem precisar diminuir ninguém.

Porque há pessoas que sobem pisando.

E há pessoas que crescem estendendo a mão.

As primeiras conquistam espaço.

As segundas conquistam significado.

Com o tempo, também descobrimos que a amargura é um peso desnecessário para quem deseja voar.

Ela endurece a alma, encurta os horizontes e transforma feridas em moradia permanente.

A ternura faz o contrário.

Abre janelas.

Ventila os cômodos escuros.

Permite que a vida continue circulando mesmo depois das tempestades.

Talvez a sabedoria seja exatamente isso: um intercâmbio silencioso de sentidos.

Enxergar com a alma.

Ouvir com o coração.

Sentir o aroma da paz mesmo quando o mundo insiste em cheirar a pressa.

Perceber que algumas das coisas mais importantes da vida não podem ser vistas, tocadas ou explicadas.

Apenas sentidas.

E, quando finalmente aprendemos isso, algo dentro de nós ganha asas.

Não para fugir do mundo.

Mas para atravessá-lo com mais leveza.

A dor me ensinou muitas coisas.

Entre elas, que a sabedoria não está em controlar a vida.

Está em aprender a atravessá-la sem perder a ternura.

Porque, no fim das contas, talvez ser sábio não seja saber mais.

Talvez seja amar melhor.

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💬 Comentários


Elba em 05/06/2026 16:23

Como você escreve bem! 🌹🥰