Um médico da rede pública de Piracicaba (SP) prescreveu um esquema de tratamento que incluía "igreja" e "cuidar de si" para um paciente de 22 anos com queixa de dores abdominais e paralisia facial.
Na receita, compartilhada nas redes sociais nesta quarta-feira (10), o profissional, que associou os sintomas a um quadro de ansiedade, escreveu que o jovem deveria fazer uso de um antidepressivo, mas apenas se as demais orientações fossem seguidas.
A Prefeitura de Piracicaba disse que vai analisar administrativamente a conduta, mas garantiu que o paciente recebeu avaliação clínica integral na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Vila Sônia.
O atendimento ao jovem aconteceu na última segunda-feira (8). Na receita, há a indicação de fluoxetina 20mg seguida das recomendações: "alimentação; exercício; cuidar de si; igreja; terapia (psicólogo/psicanalista); e remédio".
Ao final, escreveu: “Observação: só fazer o uso da medicação se fizer todo o esquema”.
O paciente informou não ter histórico de ansiedade e que não mencionou religião durante a consulta, nem deu abertura para essa abordagem, apesar de ser de família cristã.
Ele relatou ainda estar há mais de um mês com dores e sem um diagnóstico fechado. Durante o atendimento na UPA, ele disse que o médico teve um comportamento ríspido e afirmou que poderia se tratar de um quadro de ansiedade e depressão.
Além de mencionar na receita, o funcionário da unidade de saúde teria verbalizado a recomendação para prática religiosa e, segundo o paciente, menosprezou os relatos de dores físicas.
Em nota, a Prefeitura de Piracicaba afirmou que essa recomendação para atividades religiosas ocorreu de forma complementar para "fortalecer hábitos saudáveis, oferecer suporte emocional e manter vínculos sociais e comunitários", o que, segundo a nota, pode "contribuir positivamente para o bem-estar de determinadas pessoas, de acordo com suas convicções e escolhas individuais".
Fonte: G1
Nenhum comentário até o momento.