Hoje eu não escrevi.
Pelo menos foi o que repeti para mim mesma durante todo o dia.
Acordei com fraqueza nas pernas e aquele velho medo que acompanha quem já teve o corpo transformado em território inimigo. Aquela mesma dor lancinante. Passei horas sem conseguir urinar. Horas. Dessas que a gente conta no relógio e também na alma.
Escrever? Nem pensar.
O máximo que consegui produzir foi preocupação. Ganhei uma boa dose de névoa mental e café na cama.
No meio da tarde, depois de um banho quente e muita insistência do meu organismo em fingir que não possuía uma bexiga, finalmente consegui que o bexigoma se desfizesse lentamente. Nunca pensei que chegaria aos quarenta e oito anos comemorando algo tão básico como fazer xixi, mas a vida tem um senso de humor peculiar.
Caminhei um pouco melhor.
Respirei.
Sobrevivi.
Como prêmio de consolação, a luminária nova foi finalmente instalada ao lado da cabeceira.
Sempre jaz algo de bom no chão do caos.
Passei horas encarando o meu Diário do Ser.
Mais de quatrocentas páginas de beleza, reflexões e exercícios.
Ao final de um longo período de convivência silenciosa entre nós dois, consegui realizar uma tarefa extraordinária:
escrever o meu nome.
Só.
O resto do tempo passei brigando com a dor, a disautonomia e a fadiga.
Então fiz o que toda adulta responsável faz quando não consegue organizar os pensamentos.
Peguei lápis de cor.
Colori um desenho.
Devagar.
Sem meta.
Sem produtividade.
Sem culpa.
A mão doeu, mas não me surpreendeu.
Descobri que o azul continua sendo minha cor favorita.
Talvez porque seja a cor do céu.
Talvez porque seja a cor que me traz paz.
Talvez porque, em alguns dias, o céu seja o lugar mais próximo da esperança que consigo alcançar.
Enquanto eu coloria, a mente vagava.
Devagar.
E foi nesse vagar que aconteceu uma coisa curiosa.
As palavras começaram a brotar.
Não no papel.
Em mim.
Nasceu o título de um futuro livro.
Surgiram frases.
Insights.
Ideias para marcadores.
Projetos.
Histórias.
Mais algumas das minhas tradicionais novecentas e oitenta e sete abas mentais, todas abertas ao mesmo tempo e tratando de assuntos completamente distintos.
E eu, sinceramente convencida de que não havia escrito nada.
Agora é madrugada.
O Diário do Ser está fechado.
As canetinhas descansam.
O piano toca um clássico nos meus fones.
As ideias estão anotadas para não escaparem durante a noite.
E percebo que talvez eu tenha passado o dia inteiro enganada.
Talvez escrever não seja apenas colocar palavras numa página.
Talvez escrever também seja observar.
Sentir.
Colorir.
Sobreviver.
Talvez existam dias em que a escrita aconteça antes do texto.
A dor não diminuiu.
Nem com toda a minha intenção.
Eu é que mudei o foco.
Na cortina abriu uma fresta.
A luz do poste rasga a parede feito bisturi cortando a pele.
Vou ter que levantar.
Droga.
Amanheceu.
Aline, vc é surprendentemente incrível!
É poesia pura, uma caixa de sentimentos fortes que se misturam e vc renasce cada vez mais lapidada, mais linda!
Que Deus a abençoe infinitamente e cuide desta amiga com o maior zelo!
Vc é uma guerreira vitoriosa!!!
Bj.
É ex-vizinha,como é bom ser sua amiguinha.
Peço sempre a Deus para que as suas dores sejam amenizadas e que voce seja curada!
Continue nos incentivando com suas palavras
Que Deus continue te dando forças nessa luta diária. Continue escrevendo, você é perfeita nas palavras. Bjos
Fique bem 🥰
Vc foi feita de luz ,Vc me encanta a cada dia!Amo te!❤️
Vc eh um ser incrível! Iluminado!
Que honra te ter em minha vida!
Amo vc!