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18/06/2026 19:35 | Colunistas
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por Cláudio Andrade

Campos dos Goytacazes:a falsa impressão de riqueza

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Durante décadas, consolidou-se em todo o Estado do Rio de Janeiro a ideia de que Campos dos Goytacazes é uma cidade rica.

ucos municípios brasileiros receberam tantos recursos provenientes dos royalties do petróleo quanto Campos. Mas essa percepção, embora compreensível, esconde uma realidade preocupante: a cidade nunca conseguiu transformar essa riqueza temporária em desenvolvimento sustentável.

Campos não é uma cidade rica. Campos é uma cidade dependente.

A diferença entre uma coisa e outra é enorme. Uma cidade rica produz riqueza, diversifica sua economia, atrai investimentos, gera empregos e cria mecanismos para enfrentar crises futuras. Já uma cidade dependente vive ancorada em receitas que não controla e que podem diminuir a qualquer momento por decisões políticas, judiciais ou econômicas.

Os royalties do petróleo sempre funcionaram como uma espécie de colchão financeiro para sucessivas administrações municipais. Em vez de serem utilizados para construir uma economia sólida e menos vulnerável, os recursos acabaram sendo consumidos no custeio da máquina pública, em despesas correntes e em projetos que raramente produziram efeitos duradouros para o crescimento econômico local.

O mais grave é que, mesmo após décadas de arrecadação bilionária, Campos não possui um fundo de reserva robusto capaz de proteger a cidade diante de uma eventual redução significativa dos royalties.

Basta lembrar que a discussão sobre novos critérios de distribuição desses recursos volta e meia retorna ao cenário nacional.

Caso uma nova repartição reduza drasticamente a participação do município, o impacto poderá ser devastador para as finanças públicas.

Enquanto isso, pouco se vê de planejamento estratégico voltado para a atração de grandes empresas, indústrias e centros logísticos.

A localização privilegiada de Campos, sua tradição econômica e sua posição geográfica poderiam transformá-la em um importante polo regional de investimentos.

Porém, a falta de políticas consistentes de longo prazo faz com que oportunidades sejam perdidas ano após ano.

O resultado é uma economia excessivamente dependente do setor público. Muitos empregos, negócios e serviços acabam girando em torno do dinheiro que entra nos cofres municipais.

Quando os repasses diminuem, toda a economia local sente os efeitos.

A pergunta que precisa ser feita é simples: o que acontecerá com Campos quando os royalties deixarem de ser a principal fonte de sustentação financeira?

Infelizmente, essa discussão raramente ocupa espaço central nos debates eleitorais e administrativos.

Uma cidade com o potencial de Campos deveria estar discutindo inovação, tecnologia, indústria, logística, turismo e empreendedorismo. Deveria estar construindo reservas financeiras para as próximas gerações.

Deveria estar preparando sua economia para sobreviver sem depender exclusivamente de recursos que, por sua própria natureza, são finitos e incertos.

A verdadeira riqueza de um município não está no dinheiro que recebe, mas na capacidade que possui de gerar oportunidades mesmo quando esse dinheiro deixa de chegar.

E essa continua sendo a grande dívida histórica das administrações que passaram pelo município nas últimas décadas.

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