Campos dos Goytacazes é uma cidade de quase meio milhão de habitantes, com um dos maiores orçamentos do interior do Estado do Rio de Janeiro, impulsionado principalmente pelos royalties do petróleo. Ainda assim, a realidade enfrentada por milhares de famílias mostra uma contradição difícil de ignorar: a falta de oportunidades de emprego e renda continua sendo um dos maiores desafios do município.
Embora os dados do Caged registrem períodos de saldo positivo na geração de empregos formais, a percepção de quem percorre os bairros da cidade é outra. Há um contingente significativo de trabalhadores desempregados, subempregados ou sobrevivendo da informalidade, sem perspectivas concretas de inserção no mercado de trabalho. Muitos jovens concluem seus estudos e não encontram oportunidades. Profissionais experientes também enfrentam dificuldades para retornar ao mercado após uma demissão.
Nesse cenário, causa estranheza a baixa visibilidade e efetividade da Secretaria Municipal de Trabalho e Renda. Uma pasta que deveria ser protagonista na articulação de políticas públicas de qualificação profissional, atração de empresas, intermediação de mão de obra e geração de oportunidades parece ocupar papel secundário no debate sobre o futuro econômico da cidade.
O problema se agrava quando a política pública se limita à transferência de renda. Programas sociais possuem importância inegável no combate à pobreza e na proteção de famílias vulneráveis. Contudo, nenhum benefício assistencial pode substituir uma política séria de emancipação econômica. O cidadão não sonha em depender eternamente de um cartão. Sonha em ter emprego, salário, autonomia e dignidade.
O Cartão Cidadão, por exemplo, pode aliviar dificuldades imediatas, mas não transforma beneficiários em trabalhadores qualificados nem cria novos postos de trabalho. Quando não é acompanhado de programas robustos de capacitação profissional, empreendedorismo e inserção no mercado, acaba funcionando apenas como uma resposta temporária para um problema permanente.
A grande discussão que Campos precisa enfrentar não é quantas pessoas recebem benefícios, mas quantas conseguem deixar de precisar deles. Essa deveria ser a principal métrica de sucesso de qualquer política social. Quanto mais cidadãos conquistarem independência financeira por meio do trabalho, melhor será para a economia local e para a própria arrecadação municipal.
Uma cidade que depende excessivamente dos royalties do petróleo e da expansão constante de programas assistenciais corre o risco de construir uma falsa sensação de prosperidade. Desenvolvimento verdadeiro acontece quando o poder público cria condições para que empresas se instalem, invistam, contratem e gerem riqueza.
Campos precisa discutir emprego com a mesma intensidade com que discute assistência social. Afinal, nenhum cartão substitui a segurança de uma carteira assinada, a liberdade de um salário conquistado pelo próprio esforço e a dignidade que somente o trabalho é capaz de proporcionar.
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