A pressa de todo mundo
É curioso como a pressa virou companhia permanente. Acordamos correndo, tomamos café correndo, respondemos mensagens correndo e, quando percebemos, o dia inteiro passou sem que realmente estivéssemos presentes em nenhum momento.
Nas ruas, ninguém parece caminhar; todos parecem disputar uma corrida cujo prêmio ninguém sabe explicar. Nos carros, buzinas traduzem a impaciência. Nas filas, olhares inquietos conferem o relógio a cada minuto. Até as conversas perderam o encanto, interrompidas pelo toque de uma notificação que insiste em dizer que existe algo mais urgente.
Mas urgente para quem?
Enquanto corremos atrás do próximo compromisso, deixamos escapar os pequenos detalhes que dão sentido à vida: o sorriso de uma criança brincando na calçada, o cheiro do café recém-passado, a árvore que floresceu sem pedir licença, a oportunidade de ouvir alguém sem olhar para a tela do celular.
Vivemos dizendo que não temos tempo, quando, na verdade, talvez seja o tempo que já não nos tenha. Entregamos nossas horas a agendas lotadas, metas e cobranças, acreditando que descansar é perder produtividade. E, sem perceber, vamos adiando a felicidade para um momento que nunca chega.
A ironia é que todos têm tanta pressa de viver que acabam esquecendo de viver de verdade.
Talvez a vida não peça velocidade. Talvez ela apenas nos convide a diminuir o passo de vez em quando. Porque algumas das melhores lembranças não acontecem quando estamos correndo, mas justamente quando decidimos parar.
No fim das contas, o tempo continuará seguindo seu curso. A diferença está em saber se apenas passamos por ele ou se tivemos coragem de habitá-lo.
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