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01/07/2026 22:59 | Polícia

Casal é acusado de furtar bilhete premiado de R$ 29 milhões da Mega-Sena

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Um caso envolvendo um prêmio milionário da Mega-Sena virou alvo de investigação em Mato Grosso e ganhou novo capítulo na Justiça. Um casal é acusado de furtar um bilhete premiado no valor de R$ 29.058.128,28 de uma casa lotérica em Sinop, a cerca de 480 km de Cuiabá.

Segundo a investigação, tudo começou em agosto de 2023, no dia do sorteio. Uma funcionária da lotérica teria atendido uma cliente e impresso um bilhete com defeito após uma falha na máquina. Em seguida, um novo comprovante com os mesmos números foi emitido e entregue corretamente à apostadora.

O problema é que o primeiro bilhete, mesmo com defeito de impressão, não foi cancelado. Conforme as regras do estabelecimento, ele foi guardado no cofre da lotérica e passou a integrar o patrimônio da empresa.

Após a divulgação do resultado da Mega-Sena, a funcionária teria percebido que aquele bilhete guardado no cofre estava premiado. De acordo com a apuração, ela retirou o comprovante do local e, no dia seguinte, pediu demissão junto com o marido.

Ainda segundo a investigação, o marido da funcionária passou a se apresentar como um dos ganhadores do prêmio milionário. O sorteio havia pago um total de R$ 116.232.513,11, dividido entre quatro apostas vencedoras. Cada ganhador recebeu pouco mais de R$ 29 milhões.

A movimentação levantou suspeitas dos proprietários da lotérica, que acionaram a Polícia Civil. Imagens de câmeras de segurança teriam registrado momentos importantes da ação, incluindo a funcionária comemorando ao ver o bilhete e dizendo que iria até a Caixa Econômica Federal.

O Ministério Público de Mato Grosso denunciou o casal por furto qualificado mediante abuso de confiança e concurso de pessoas. A defesa tentou transferir o caso para a Justiça Federal, alegando que o prêmio seria pago pela Caixa Econômica Federal e, por isso, haveria interesse da União.

O Superior Tribunal de Justiça, no entanto, rejeitou o pedido. O ministro Ribeiro Dantas entendeu que a suposta vítima direta do crime é a casa lotérica, uma empresa privada, já que o bilhete estava no cofre e fazia parte do patrimônio do estabelecimento no momento em que teria sido retirado.

Para o ministro, o eventual saque do prêmio na Caixa seria uma consequência posterior do suposto furto, mas não mudaria a natureza do crime nem deslocaria a competência para a Justiça Federal.

Com a decisão, a ação penal continuará tramitando na Justiça Estadual de Mato Grosso. O processo ainda não representa condenação definitiva, e os acusados seguem com direito à defesa.

O caso chama atenção pela sequência incomum: um bilhete com defeito, não cancelado, guardado em um cofre, premiado com quase R$ 30 milhões e depois reivindicado pelo marido da funcionária que tinha acesso ao local.

Agora, caberá à Justiça analisar se houve furto, quem era o verdadeiro proprietário do bilhete e se o casal tentou se apropriar indevidamente de um dos maiores prêmios pagos pela Mega-Sena naquele concurso.

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