Enquanto a Polícia Federal aprofunda as investigações envolvendo pessoas ligadas à entidade, advogados, psicólogos, assistentes sociais, administradores e auxiliares contratados para atuar no Balcão do Consumidor seguem há cerca de três meses sem receber salários.
A prisão de Raphael da Silva Gonçalves, marido da presidente da CPASC (antiga ONG Contato), durante a Operação Emendatio, voltou a colocar a organização no centro das atenções.
Além de ser citada em investigações sobre recursos de emendas parlamentares, a entidade também é responsável pelo contrato de aproximadamente R$ 52 milhões para execução do programa Balcão do Consumidor, vinculado ao Procon-RJ.
O caso ganha contornos ainda mais graves porque, enquanto as investigações avançam, centenas de trabalhadores espalhados pelos polos do Balcão do Consumidor em todo o Estado do Rio de Janeiro permanecem sem receber salários há aproximadamente três meses.
Advogados, psicólogos, assistentes sociais, administradores e profissionais de apoio relatam dificuldades para pagar aluguel, contas básicas e manter o sustento de suas famílias.
Muitos afirmam que continuam convivendo com a incerteza, sem qualquer previsão concreta para regularização dos pagamentos.
A suspensão dos repasses ocorreu após uma auditoria do Governo do Estado identificar possíveis irregularidades na execução do contrato.
Os apontamentos da Controladoria-Geral do Estado e da Auditoria-Geral levaram ao bloqueio cautelar de novos pagamentos à CPASC, deixando os colaboradores no meio de um impasse administrativo.
O cenário é ainda mais delicado porque, segundo informações já divulgadas pelos órgãos de controle, cerca de R$ 17 milhões já haviam sido repassados à entidade antes da suspensão, mesmo com questionamentos sobre a execução do projeto e sobre a abertura de todos os polos previstos contratualmente.
A situação evidencia que, independentemente da responsabilização criminal que venha a ser apurada pela Polícia Federal, quem está pagando a conta são os trabalhadores, que continuam prestando ou prestaram serviços de interesse público e hoje enfrentam meses de atraso salarial sem respostas efetivas.
A Operação Emendatio investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares, com suspeitas de lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa.
As investigações seguem em andamento, e as responsabilidades serão individualizadas pelas autoridades competentes.
Enquanto isso, os funcionários do Balcão do Consumidor aguardam uma solução que, até agora, não chegou.
Para eles, a maior urgência não é apenas o avanço das investigações, mas o pagamento dos salários que garantem a sobrevivência de suas famílias.
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