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06/08/2026 17:57 | Articulistas

Não era sobre a virilha. Nunca foi.

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A Rainha dos Baixinhos voltou aos holofotes. Desta vez, porém, não por seu novo um projeto, mas por sua virilha!

Mas por que isso causou tanto alvoroço?

Porque, mais uma vez, Xuxa ousou fazer aquilo que tantas mulheres ainda são desencorajadas a fazer: existir plenamente. Envelhecer sem pedir licença. Exibir o próprio corpo sem pedir desculpas. Ser dona da própria imagem, da própria história e das próprias escolhas.

O incômodo nunca foi a virilha, a perna ou o bumbum. O incômodo é ver uma mulher de mais de 60 anos recusando o papel que uma sociedade ainda insiste em lhe impor: o da invisibilidade.

Vivemos em um país que vigia o corpo feminino com uma dedicação impressionante. Analisa rugas, peso, cabelos, roupas, pernas, celulites e, agora, até a virilha. A mesma sociedade que se escandaliza com o corpo feminino costuma ser complacente diante de problemas infinitamente mais graves, como a violência contra a mulher, o feminicídio e os abusos contra crianças. É uma indignação seletiva, moralista e profundamente contraditória.

É verdade que Xuxa é uma figura pública e, ao longo de sua vida, aprendeu a conviver com elogios e críticas. Mas o debate ultrapassa sua trajetória pessoal. Porque, todos os dias, milhares de mulheres anônimas também são julgadas pela idade, pela aparência, pelo peso, pelos cabelos brancos ou simplesmente por se recusarem a desaparecer depois de determinada fase da vida.

O etarismo continua sendo uma das formas mais silenciosas de violência contra a mulher. Existe uma expectativa social de que mulheres 60+ sejam discretas, quase invisíveis. Que escondam o corpo, abandonem a vaidade, deixem de sorrir com intensidade, pratiquem menos esportes, não falem sobre desejo e, de preferência, comportem-se como se a maturidade significasse o fim da feminilidade.

Ser dona de um corpo feminino me condena a obedece regras? Não. definitivamente não, e Xuxa nunca pareceu interessada em segui-las. E talvez seja exatamente isso que continue incomodando tanta gente.

Ela respondeu às críticas da forma mais elegante possível: permanecendo exatamente quem sempre foi. Forte, autêntica, livre e fiel à própria essência.

Enquanto muitos discutiam sua virilha, ela seguiu fazendo aquilo que sempre fez de melhor: levando alegria, despertando memórias afetivas e lembrando gerações inteiras de que querer, poder e conseguir sempre foi uma filosofia de vida. No fim das contas, nunca foi sobre a virilha.

Foi — e continua sendo — sobre a dificuldade que parte da sociedade tem de aceitar mulheres que envelhecem sem abrir mão da liberdade, da autoestima e do direito de ocupar todos os espaços, exatamente como desejam.

Me despeço, mandando um beijo para minha mãe, para o meu pai, e para você!

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