“Eu tenho vergonha de ser feliz.”
Essa frase me foi dita por uma pessoa querida e, desde então, tenho pensado nela.
Porque talvez a gente não tenha vergonha exatamente da felicidade. Talvez tenha vergonha do que imagina que os outros pensarão quando perceberem que estamos felizes.
É curioso como aprendemos a nos vigiar.
A rir sem fazer muito barulho. A comemorar sem parecer exageradas. A dançar, mas não demais. A mostrar conquistas, mas sem parecer arrogante. A viver, mas sempre atentas para não incomodar quem está olhando.
Quantas vezes diminuímos a própria alegria para caber no desconforto de alguém?
E, principalmente, quantas vezes confundimos humildade com apagamento?
Existe uma diferença enorme entre reconhecer a dor do outro e acreditar que precisamos esconder a nossa felicidade para não feri-lo.
A felicidade de alguém não deveria ser uma ofensa.
Talvez a pergunta não seja apenas “por que tenho vergonha de ser feliz?”, mas: “em que momento aprendi que a minha alegria precisava pedir licença?”
A vida já nos impõe silêncios, perdas, responsabilidades e despedidas suficientes.
Quando a felicidade chegar, talvez a gente possa simplesmente deixá-la entrar.
Sem culpa.
Sem pedir desculpas.
Sem diminuir o sorriso.
Porque ser feliz também pode ser uma forma de ocupar, inteira, a própria vida.
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