Existe um tipo de cansaço que não vem da falta de pessoas, mas da falta de escuta real. Você fala, explica, compartilha — e o som até sai, mas não volta. Não há eco. Não há resposta que atravesse a superfície.
Não é ausência de vínculos. Eles existem. O que falta é profundidade. Em muitos encontros, cada um está ocupado demais consigo para realmente perceber o outro.
Chama-se isso de convivência, às vezes até de amizade, mas na prática é apenas proximidade sem presença.
Quem sente demais, percebe cedo. Nota quando a conversa é protocolo, quando a resposta é automática, quando a atenção dura só até o assunto deixar de ser confortável ou interessante.
Essa percepção não é privilégio nem fardo místico — é sensibilidade afinada. E ela cobra um preço alto: o de enxergar o que muitos preferem não ver. O sublime véu que mascara suas mais cruas verdades.
Há quem pense que o problema é intensidade. Não é. O problema é tentar oferecê-la a quem não tem espaço interno para recebê-la. Nenhum megafone resolve isso. Aumentar o volume não cria escuta; só aumenta o desgaste.
Com o tempo, aprende-se algo essencial: não vale a pena falar para todos. Nem tudo precisa ser explicado. Nem toda verdade precisa de plateia. Conexão não se constrói por insistência, mas por sintonia.
Usar a própria voz com critério é um ato de cuidado. Escolher o silêncio, às vezes, também é. Não como desistência, mas como preservação.
Não se trata de estar sozinho.
Trata-se de estar cercado por corpos que ocupam espaço, mas não habitam o mesmo tempo emocional que você.
Porque a sua voz continua tendo valor.
Ela só precisa chegar a quem realmente escuta.
Com certeza.As vezes vc grita e não te ouvem.Outras, apenas um olhar diz TD.
Com certeza.As vezes vc grita e não te ouvem.Outras, apenas um olhar diz TD.
vc arrasa !!!! Esse texto está PERFEITO!
Estou gostando muito dos textos cada qua melhor.Parabens!