Durante décadas, tecnologia foi tratada como comodidade.
Hoje, ela é infraestrutura crítica.
Hospitais dependem de sistemas digitais para acessar prontuários, agendar cirurgias e monitorar pacientes. Bancos operam quase exclusivamente por plataformas online. Aeroportos, transporte público, energia, abastecimento e comunicação funcionam sobre camadas de software invisíveis à população.
O problema é que essa dependência cresceu mais rápido do que a preparação.
Uma falha de sistema, um erro de atualização ou um ataque cibernético são suficientes para interromper serviços essenciais. Quando isso acontece, não se trata apenas de “instabilidade técnica”. Trata-se de risco real à economia, à segurança e à vida cotidiana.
Casos recentes no Brasil e no mundo mostram que não é preciso um grande ataque coordenado para gerar caos. Às vezes, basta uma decisão técnica mal planejada, infraestrutura defasada ou ausência de protocolos de contingência.
A tecnologia que sustenta o país funciona, muitas vezes, no limite.
Enquanto discursos falam em inovação, inteligência artificial e transformação digital, temas como segurança, redundância, soberania tecnológica e preparo institucional seguem em segundo plano. O resultado é um sistema moderno na aparência, mas frágil na base.
A pergunta que precisa ser feita não é se a tecnologia pode falhar.
Ela vai falhar.
A questão real é outra:
o país está preparado para continuar funcionando quando isso acontecer?
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