Esse texto veio depois de uma ida ao supermercado, onde ouvi de um funcionário: “Eu trabalho aqui e não consigo comprar nada que vende aqui.” - Ele se referia à parte de frios. Eu estava procurando um queijo muçarela e o funcionário então me informou que o queijo de búfala era muito bom, onde eu respondi que não tenho dinheiro para esse tipo de queijo, e foi então que ele falou a frase que me fez pensar e que ao mesmo tempo me deixou mal, pois eu podia comprar pelo menos a muçarela e eu nem trabalhava ali. Que mundo é esse onde o dinheiro muitas vezes não compra nem um queijo?
Dizem por aí que dinheiro não compra felicidade, e sim, eu concordo, porém costumo dizer também que apesar dele não comprar diretamente a felicidade, pois esta vem de dentro de nós, ele compra qualidade de vida. O dinheiro te dá acesso se não ao melhor, pelo menos a quase isso. Bons tratamentos médicos, especialistas, hospitais, os melhores remédios existentes, os melhores profissionais... Ah, mas ainda assim tem quem não melhore ou mesmo não resista. Sim, é verdade, pois o dinheiro possibilita mais acesso, não a compra da vida. Mas vocês já pararam para pensar em quantas pessoas precisam de tratamentos, acompanhamentos, alimentação diferenciada, entre outras necessidades, e não são capazes?
Quantas vezes tantas e tantas pessoas sobrevivem sem conseguir fazer seu tratamento por completo ou simplesmente nem conseguir? Em como é difícil ter que contar quantas gotas tem em cada mililitro do frasco para saber quanto tempo vai durar porque você não sabe quando vai conseguir comprar outro frasco desse remédio, e ainda assim agradecer por ter tido a chance de comprar um, pois a maioria nem isso consegue. E não é por falta de vontade, pois a gente trabalha... E trabalha muito, e acorda cedo, pega ônibus, às vezes metrô, trabalha o dia inteiro e final de semana, e ainda assim o salário mal dá para o básico. Essa é a vida da maioria de nós.
Então, quando você pensar em dizer que dinheiro não traz felicidade, saiba que está certo, mas que é muito difícil ser feliz sem ter o básico: acesso à saúde, educação de qualidade, lazer, boa alimentação, tempo para descanso, moradia digna, etc...
Burnout, depressão, ansiedade, ou qualquer coisa do tipo, não é considerada “doença de rico” à toa, pois terapias são caras, especialistas são caros... Mas aí a gente adoece um dia e tem que se virar, seja para pagar o tratamento, seja para continuar trabalhando como se nada estivesse acontecendo porque você não pode “se dar ao luxo” de sair de licença médica e perder o emprego na volta.
Ser feliz no simples quando você tem seus boletos pagos, dinheiro na conta e acesso à todas as outras coisas já citadas aqui, como saúde de qualidade, é bem fácil. Mas calma, você não tem culpa de ter uma vida mais tranquila e nem muito menos por ganhar bem, só não se esqueça de não romantizar a dificuldade de tantos ou pior ainda, de julgá-los por não serem “feliz no simples”. A vida é dura para todos nós, mas é que para a maioria, ela é ainda mais.
Amei o texto!
Informativo e prestativo.
Sei bem o que é isso.
Pois, faço parte dessa estatística entre escolher o básico do básico.
Parabéns, Bia! ❤️🥰❤️