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05/03/2026 13:37 | Colunistas
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por Cíntia Acruche

Anna Karenina

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Caros leitores,

Ler o gigante Anna Karenina, de Liév Tolstói foi uma experiência que ficou comigo mesmo depois de fechar o livro. Não é apenas uma história sobre amor ou traição. Aos poucos, percebemos que o romance toca em algo mais profundo: a dificuldade humana de viver entre aquilo que sentimos e aquilo que o mundo espera de nós.


Anna é uma personagem que chama atenção desde o início. Há nela uma presença forte, quase luminosa. Mas, ao mesmo tempo, sentimos que existe uma inquietação silenciosa em sua vida. O encontro com Conde Vronsky parece despertar algo que talvez já estivesse adormecido dentro dela. Não se trata apenas de paixão, mas de uma busca intensa por uma vida que pareça mais verdadeira.


No entanto, a vida raramente é simples. A partir do momento em que Anna rompe com o casamento com Alexei Karenin, tudo se torna mais complexo. A vulnerabilidade deixa de ser conceito e torna-se sensação concreta. A insegurança da personagem se faz nas conversas, nos silêncios, nos olhares. A sociedade observa, julga, afasta. E aquilo que começou como promessa de felicidade passa, pouco a pouco, a carregar também solidão e conflito interior.


Anna não foi condenada pelas palavras de Tolstói. Pelo contrário, em muitos momentos ele nos leva a uma espécie de compaixão por ela, com menos julgamentos e mais sentimentos humanos e seu desconforto profundo em decidir o próprio rumo.


Paralelamente, a história de Constantin Liévin caminha de forma mais silenciosa, mas igualmente significativa. Liévin busca algo que talvez todos nós busquemos em algum momento: sentido. Ele tenta encontrá-lo na vida simples, no trabalho, no amor e nas pequenas experiências do cotidiano. Suas reflexões têm um tom quase filosófico, e muitos leitores percebem nele algo do próprio Tolstói.


Curiosamente, há relatos de que o próprio autor, anos depois, não demonstrava grande entusiasmo por Anna Karenina. Após uma transformação espiritual em sua vida, Tolstói passou a olhar para seus grandes romances com certo distanciamento, como se aquela forma de literatura já não representasse mais aquilo que ele desejava escrever.


Ainda assim, o livro permanece impressionante. Talvez porque Tolstói tenha conseguido captar algo muito verdadeiro sobre a vida: o fato de que o ser humano vive entre desejos, escolhas e consequências. E, nesse caminho, nem sempre é fácil encontrar equilíbrio.


No final, fica a sensação de ter acompanhado não apenas uma história, mas pedaços muito reais da experiência humana.




Ficha técnica:

Autor: Liev (Leo) Tolstói

Publicação: 1877 (em volume completo)

Idioma original: Russo

Gênero: Romance realista e psicológico

Número de páginas: 838

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💬 Comentários


Priscila Lopes em 09/03/2026 19:37

Esta leitura traz uma mistura de emoção x razão e a busca contínua pela felicidade ou ao menos pelo que se conhece sobre ela.
Muito valoroso ler!!

Dayane em 06/03/2026 14:36

Uau, super despertou o interesse pela leitura desse livro.

Marlon em 06/03/2026 12:12

Ótima indicação👏👏👏

Helke em 06/03/2026 12:10

❤️❤️❤️. Perfeita a sua resenha!! Arrasouuu 😍

Guilherme em 06/03/2026 12:09

Excelente indicação!
Amei a sua resenha❤️

Carmen Lúcia em 05/03/2026 16:18

Pela resenha, pude ver q é uma leitura atraente.

Elisandra Trentino Canavese em 05/03/2026 14:41

Daquelas resenhas que deixan um gostinho de quero mais! Adorei esse livro e já na minha lista!

Flávia em 05/03/2026 14:15

Calhamaço excepcional!! Que maravilha você destacar essa leitura! 👏🏻👏🏻👏🏻