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19/03/2026 14:32 | Colunistas
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por Aline Borges

O NÃO que recebi de Jesus

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O NÃO que recebi de Jesus


Dizem que Deus responde todas as preces.
Eu acredito.

Mas ninguém me avisou que, numa Experiência de Quase Morte, a resposta poderia vir em um monossílabo.

Eu estava lá.

Num lugar que não tem nome em língua de vivo, enquanto meu corpo, aqui embaixo, lutava.
Mas eu — o “eu” que realmente sou — estava de pé.

E eu não estava sozinha.

Meu avô estava lá.

Agachado, sorrindo, com os braços abertos, me esperando como sempre fez.
Era o abraço. O colo. A volta para casa.

Meu corpo inteiro quis correr.

Foi quando senti uma mão no meu ombro.

Firme. Presente.

Eu não ouvi uma frase inteira.
Mas entendi uma palavra:

— Não.

Não era um não duro.
Não era uma rejeição.

Era contenção.

Meu avô continuava ali, sorrindo, me esperando.
A paz estava a poucos passos de mim.

E, ainda assim, eu fiquei.

Não houve explicação.
Mas houve entendimento.

Se eu desse aquele passo, eu não voltaria.

E, de alguma forma que não sei explicar com palavras, eu soube: ainda havia vida me esperando aqui.

Cinco anos se passaram.

Demorei esse tempo todo para compreender o peso daquele “não”.

Hoje eu entendo — não completamente, mas o suficiente.

Não foi uma porta fechada.
Foi uma porta adiada.

Aquele momento não era o fim.

Era uma pausa.

Um respiro antes de continuar.

E, olhando para trás, eu vejo tudo o que cabia dentro daquela única palavra:
os dias que vivi,
as dores que atravessei,
os aprendizados que só vieram porque eu permaneci.

Ainda não acabou.

E talvez seja isso que mais me sustenta.

Saber que o “não” não foi ausência de amor.
Foi cuidado.

Silencioso. Firme. Preciso.

Como uma mão sobre o ombro dizendo, sem pressa:

calma…
ainda não.

E então eu sigo.

Vivendo.
Escrevendo.
Errando.
Acertando.
Amando.

RES
PI
RAN
DO.

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💬 Comentários


Eliza em 24/03/2026 09:48

Conhecia essa história. Ouvi você contar com muito cuidado e amor.Não era sua hora com certeza,você tem uma missão lindo com seus filhos.

MÃE REGINA ou gininha como vc me chama. em 19/03/2026 16:16

Eu sabia dessa história .
Mas não senti.
O SEU vô sempre cuidou muito pequena.
Eu tinha q trabalhar e ele não confiava na babá.
Lindo o q vc escreveu.
Sinto orgulho de vc tão corajosa cuidando dos filhos e levando- os ao colégio e às vezes não estando muito bem .

Jane Heloisa em 19/03/2026 15:48

Muito profundo, linda reflexão
Que Deus continue te abençoando com muita saúde e fé